Sou surda e não tenho vergonha disso

Quem acompanha o Blog da Integratur, já sabe que somos a favor de práticas de nos ajudem a nos entender melhor e nos ajudar a entender o mundo melhor. Esta é o segundo vídeo do Canal Ter.A.Pia que postamos, pois acreditamos que não estamos sozinhos no mundo! Veja só o vídeo!

A Morgana é surda oralizada e, por ter um jeito diferente de falar, já chegou a ter vergonha de assumir sua deficiência auditiva. Hoje ela ajuda outras pessoas a encontrar suas identidades.

Os pais da Morgana só foi perceber que ela tinha problemas de audição quando uma professora comentou que ela não atendia ao ser chamada.

No começo, ninguém acreditava que ela poderia ser surda, mas quando foram ao médico tiveram o diagnóstico: perda profunda bilateral severa. Ali fadaram ela à incapacidade.

Mas sua avó não deu o braço a torcer e ensinou a garotinha a falar, mesmo ela não ouvindo nada. Seu método consistia em colocar a mão da neta em sua garganta e mostrar como o som era produzido ali, depois ela escrevia a letra correspondente para a menina assimilar.

E foi assim que a Morgana aprendeu a escrever e a falar, por meio da vibração da garganta e da leitura labial de sua avó. Isso possibilitou sua entrada na escolinha, mas não permitiu que ela estivesse protegida do bullying.

Morgana falava, mas sua voz soava diferente. É o chamado “sotaque surdo”. Seu jeito de falar se assemelha realmente a um sotaque estrangeiro. Isso não passou desapercebido pelas crianças. Seu aparelho auditivo também não.

Ela conviveu com as piadinhas durante toda a infância e adolescência. Quando já prestes a procurar emprego, não eram mais as piadas que afetavam sua vida, mas sim o preconceito do mundo corporativo.

Morgana fazia inúmeras entrevistas, passava, mas ao expor algumas de suas limitações, não recebia o retorno prometido das empresas. Isso mudou quando sua mãe viu na TV uma reportagem sobre determinada empresa que tinha programas de inclusão. 

Nesta empresa, Morgana se deparou com a maior mudança da sua vida. Lá, ela encontrou pessoas que, assim como ela, também eram surdas – até então ela não havia convivido com nenhum deficiente auditivo.

A partir disso, ela começa a achar sua identidade e entender que sua surdez não era devia ser um fardo.

Hoje, Morgana é secretária da diversidade surda em uma ONG e trabalha para garantir direitos essenciais aos mais de 10 milhões de surdos que existem no Brasil, e também para divulgar meios de pessoas não-surdas somarem a causa, garantindo acessibilidade e respeito para todo mundo.

Ps: Morgana acompanha o ter.a.pia porque desde o início do projeto, incluímos legendas em todos os nossos vídeos.

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Fonte: Ter.A.Pia – https://www.youtube.com/watch?v=SrCMB-BWTVM