Empatia e acessibilidade sendo ensinado na sala de aula por Professora de História

Alunos montam mapas em braile e texturizados, tarefa foi passada para alunos do oitavo ano do ensino fundamental

Vocês sabem o quanto nós da Integratur gostamos de iniciativas que promovam a integração de pessoas com deficiência no nosso convívio do dia a dia. A escola é o local de aprendizado para a vida e descobrimento sobre o outro.

Uma educação mais inclusiva. Esse foi o desejo que fez com que a professora Gabriela Costa, de 34 anos, pensasse “fora da caixinha” e propusesse um desafio a seus alunos, em uma escola particular na Pavuna, Zona Norte do Rio. O trabalho deste trimestre tinha como tema as “conquistas napoleônicas”, conteúdo do oitavo ano do Ensino Fundamental, em que estudantes teriam que elaborar os mapas com territórios do imperador francês. A diferença é que os cartazes teriam que ser texturizados e também apresentar legendas e título em braile — para que deficientes visuais pudessem compreender as informações trazidas pelos adolescentes.

Num primeiro momento, contou a professora, alguns ficaram receosos com o desafio que tinham pela frente. Não durou muito tempo. A molecada, formada por alunos de 12 a 14 anos, abraçou a ideia e, após bastante esforço, apresentaram os trabalhos. Mais do que isso: ficaram muito orgulhosos do que realizaram, nas palavras da própria Gabriela.

— Neste trimestre, após abordarmos o tema de inclusão e necessidades especiais em sala de aula, para tentar compreender um pouco a realidade dessas pessoas, tive a ideia de dar acesso através de um conteúdo de História que normalmente tem uma abordagem mais tradicional — explicou a professora, que acrescentou: — No início não exigi o braile na legenda, mas percebemos que tinha o alfabeto no livro de ciências e os alunos encararam o desafio.

#ParaTodosVerem: Trabalho elaborado pelos alunos. Mapa da Europa, sobre as Conquistas Napoleônicas, com texturas em pedras, gravetos, grama, areia e algodão, com legenda em braile. Foto: Reprodução/Facebook

Os estudantes deixaram a imaginação rolar. Na elaboração dos mapas, os adolescentes utilizaram materiais como bolinhas, pedras, gravetos e algodão — para que, pelo tato, fosse possível diferenciar cada território. Além das legendas em braile. Na visão da professora, é importante incentivar a acessibilidade e também lidar com as diferenças, dentro de sala de aula.

— Não existe no currículo formal uma disciplina que aborde a temática da acessibilidade, ela, então, tem que ser feita de maneira transversal ao que está sendo trabalhado em sala de aula. Não é apenas importante, é essencial, pois se isso não for feito, não haverá outro lugar para que os alunos aprendam sobre estratégias de inclusão — disse a professora de história, que leciona em salas de aula há quatro anos. Nos outros sete de profissão, atuou em pesquisas históricas.

Gabriela contou que não tem alunos com necessidades especiais, mas argumenta que tarefas dessa natureza são importantes para todos:

— Neste trabalho, o material não serve para incluir já que não tenho um aluno com esta necessidade, mas apresenta para comunidade escolar que estas estratégias existem e devem ser colocadas em prática — opinou ela. — Os mesmos alunos do oitavo ano já pediram para pensarmos em outro trabalho que atinja outros grupos. Vamos pensar.

Texto: Rafael Nascimento

Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/professora-de-historia-incentiva-acessibilidade-alunos-montam-mapas-em-braile-texturizados-23756370?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

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