DEMOCRACIA E A DEFICIÊNCIA

Ao contrário do imaginário popular, a deficiência é extremamente democrática. Você e muita gente não havia reparado, mas vamos dar uma olhada nos próximos parágrafos.

A deficiência não respeita sexo, idade, cor, classe social, religião, extrato bancário, diploma. Pode ser de nascença, ou adquirido ao longo da vida, doença, acidente ou quando vamos envelhecendo e nossa mobilidade vai diminuído e vamos precisando utilizar equipamentos ou aparatos para nos locomover.

Você também pode se tornar deficiente temporariamente, já pensou nisso? Seja por uma cirurgia, porque quebrou algum membro ou qualquer motivo que a vida lhe impuser. Hoje muito provavelmente você auxilia seus pais e sogros nos próximos anos, seremos nós mesmos a precisar desses equipamentos.

A ciência e a tecnologia, também andam mudando a forma de como nós entendemos e vivenciamos a deficiência. Seja por reabilitação, como transplante de órgãos, os avanços das cirurgias das células-tronco em diferentes especialidades nos aparelhos cocleares para surdez. Até o simples uso de bengalas ou cão-guias que trazem independência no dia a dia às pessoas com deficiências visual.

E você aí pensando que todo deficiente era sinônimo de dependência, não é mesmo? Isso é o que costumamos ver nos noticiários. E quando a notícia é “boa”, costuma sempre vir acompanhada de termos como “superação” ou “garra”.

Vou trazer uma frase de Machado de Assis de O Alienista, “de médico e louco todo mundo tem um pouco”; e adaptá-la para – ‘de deficiente e louco todo mundo tem um pouco’. Afinal, todos nós temos nossas limitações, algumas extremamente visíveis e aparentes e outras nem tanto, mas que já sabemos que se repararmos, definitivamente, de perto ninguém é normal.

Ou seja, mesmo que uma pessoa tenha algum tipo de deficiência, isso não a impede de conquistar o seu lugar na sociedade, como você e eu. Pois no final das contas, ela continua sendo simplesmente uma pessoa!

Podem ser professores, jornalistas, empresários, músicos, advogados, funcionários públicos, administradores, fotógrafos, atletas, programadores, contadores, cabeleireiros, designers, TI, e mais uma infinidade de profissões. Sim, na grande maioria dos casos tiveram que enfrentar muitas barreiras estruturais, como acesso às escolas e universidades ou mesmo a barreira do preconceito. Na forma de lidar, interagir ou desenvolver as capacidades do profissional ao longo da sua vida. Mesmo assim, galgaram seu lugar na sociedade.

Este mercado consumidor além de se tornar cada vez mais exigente, está cada ano maior, mais rentável e mais diversificado, conseguiu perceber o tamanho do mercado agora? E o quanto o a deficiência pode ser democrática!

Mercados maduros ou avançados tecnologicamente a inclusão da pessoa com deficiência já é uma realidade, tanto na esfera pública quanto privada. As chamadas smart cities são realmente inteligentes e pensadas em todos os públicos. Hong Kong, Tokyo, Shanghai, Nova York, Las Vegas, Madri, entre tantas outras cidades inteligentes que englobam e respeitam todos os cidadãos e permitem a autonomia e individualidade de cada pessoa.

Sim no Brasil temos um longo caminho pela frente, mas você empresário é sem a ganhar se agregar a acessibilidade de forma ampla no seu comércio. Além de facilitar a vida dos seus consumidores, você estará se diferenciando e se destacando dos seus concorrentes e realizando uma excelente propaganda gratuita para si.

Percebeu como ser democrático e inclusivo também trará muitos benefícios ao seu comércio direta e indiretamente. Sem comentar em todo o impacto econômico gerado na economia local, pois estamos falando de Turismo no qual só se sustenta se tiver uma produtiva conectada e ganhará muito mais se estiver qualificada e estruturada!

Texto: Gabrielle Jordano