DEFICIENTES E INVISIBILIDADE SELETIVA NA SOCIEDADE

Quando resolvi criar a Integratur e fui buscar informações e me informar melhor as diferenças das pessoas com deficiência, como tratá-las, quais suas dificuldades no cotidiano, com as pessoas e trabalho e principalmente no Turismo, que é o meu foco. A primeira coisa que percebi, foi o quanto as pessoas com deficiência, de uma forma em geral, se sentem invisíveis na sociedade e o segundo ponto, foi o quanto a sociedade trata qualquer pessoa com deficiência como “coitado” ou até mesmo “inválido”.

Mesmo a limitação da deficiência sendo relativamente pequena, como um cadeirante, por exemplo, possui todas as suas funções cognitivas plenas, se comunica plenamente, enxerga, fala, mexe os braços como qualquer outro, apenas não possui o movimento das pernas. Porém, ouço, vejo e leio muitos relatos de que eles são simplesmente ignorados em diversos setores da nossa sociedade, seja numa ida ao mercado, ao restaurante e até mesmo “na inclusão” do mercado de trabalho. No qual, as pessoas que vão atender os cadeirantes, ao invés de se dirigirem normalmente para a pessoa e a tratarem como igual, simplesmente a ignoram e falam com seu acompanhante. E posso dizer que ouço o mesmo das pessoas cegas, surdas, com Paralisia Cerebral, Síndrome de Down e por aí vai.

Quando converso com as pessoas que não tem deficiência ouço sempre, “mas quase nunca vejo pessoas com deficiência pela rua”. Neste ponto, sempre chamo a atenção para duas questões, primeiro: quando falamos em pessoas com deficiência, as pessoas que não têm deficiência, pensam que deficiente é só cadeirante, outro ponto, é que simplesmente o deficiente não tem importância no seu dia a dia, portanto, a pessoa simplesmente não consegue enxergar quando vê um deficiente, seja qual foi o tipo, na sua frente. E é exatamente neste ponto que chamo de Cegueira Seletiva.

Pois nosso cérebro está programado para ignorar aquilo que não é importante para nós. Como pessoas podem não ser importantes? Como pode uma população de mais de 40 milhões de habitantes no Brasil, segundo o IBGE, ser invisível?

É exatamente isso que é replicado quando a pessoa com deficiência, como um consumidor comum, como é, vai as compras enfrenta uma série de barreiras, principalmente no setor de serviço, pois mais uma vez, estamos falando daquelas pessoas que ou literalmente simplesmente ignoram os deficientes ou os veem, novamente, como coitadinhos ou inferiores – o que não são. E quando falamos ao gerentes os donos de empresas que precisam melhorar os serviços para atender de forma igualitária este público o que mais ouço é “a minha empresa / comércio já é acessível (para cadeirante)” e “não preciso dar treinamento para a minha equipe, pois quase não recebo deficientes no estabelecimento.”

Vou fazer uma pergunta a você leitor, você iria num estabelecimento e consumiria os serviços do local, no qual o acesso e a comunicação no local é difícil e você ainda é ignorado ou ainda tratado com rispidez pelos atendentes? Posso dizer claramente que me recuso a pagar por qualquer serviço que sou mal atendida, eu simplesmente vou embora do estabelecimento e você? Por qual razão o gerente ou dono do estabelecimento não vai querer vender ou faturar mais? Simplesmente porque desconhece este público específico e tão grande em nossa sociedade? Em um momento em que ouvimos tanto nos noticiários sobre queda de faturamento ao mesmo tempo que cada vez mais assistimos reportagens sobre diversidade em geral?

As pessoas simplesmente mudam completamente o olhar quando converso com elas é uma transformação nítida de percepção. E se de alguma forma mudo a o olhar do interlocutor, já me sinto por satisfeita, pois sei que de alguma forma ele passará a ser uma mudança real na vida do público consumidor com deficiência.  

Texto: Gabrielle Jordano

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